quarta-feira, 9 de março de 2011

Um "causo" do rádio...

Ano de 1964 na rádio Industrial de Juiz de Fora, eu com quase dezoito anos e já redator e locutor e estudante, tudo junto. Mas, menino que era, já amava tanto a rádio que por lá ficava quase o dia inteiro. Entrou um locutor novo com um vozeirão chamado Afonso Torquato e bem mais velho: devia estar beirando os trinta anos. Falando, sua voz quase estremecia as paredes do estúdio mas...tinha um porém: se alguém olhasse pra ele, ficava nervoso e errava tudo. Assim, a rádio o contratou para ler noticiários e anunciar músicas, desde que ninguém ficasse com ele, a não ser o operador.
No entanto, naquela época, uma das fontes de renda da rádio era o anúncio fúnebre que a família pagava antecipadamente e, se quisesse, poderia acompanhar a sua leitura do estúdio (Eles cobravam bem...ehehehe). Um domingo, estava o Torquato na locução e na portaria veio uma família que havia perdido o pai e os doze familiares se cotizaram e subiram ao estúdio para, chorosos, ver e ouvir o anúncio sair no ar. A Terezinha Auagi, misto de porteira com recebedora de anúncios e sem saber porra nenhuma do nervosismo do Torquato, sorrisão nos lábios, levou a familia inteira em três viagens de elevador para o estúdio da rádio, abriu a porta com toda os familiares olhando curiosos pelo vidro do estúdio e disse pro Torquato: "Nota fúnebre: assim que der o gongo, leia..."// Torquato começou a tremer mas...segurou a onda.
O operador, Julio Pavan, apertou o gongo: TÓOOOOOINNNN...
e o Torquato de cabeça baixo, suando mais que carioca no verão de 40 graus, começou a leitura: " Falecimento! a familia de fulano de tal....."
Quase no final da nota dava pra ver os olhos marejados dos familares do fulano de tal, comovidos com aquele vozeirão falando da perda do parente...
Só tinha uma coisinha no final que, nervoso, o Torquato errou: Tinha de dizer "Noticiamos com pesar, a morte de fulano de tal..." // E o Torquato leu: "Noticiamos com PRAZER...o falecimento de..."//Não completou a frase: o mais forte da familia, parecido com um armário duplex, meteu o pé na porta, arrombou o estúdio e quase arromba o nosso Afonso Torquato, não fosse a providencial presença do segurança da rádio que era muito forte. Depois dos ânimos apaziguados, tudo se resolveu com a devolução do dinheiro e a gravação de uma nota de compensação pela metade do preço mas, gravada e ainda assim, lida pelo Torquato e sendo fiscalizado pelo " irmão armário" que falou pra ele "NUM ERRA!!!".
Foi de primeira: Ele 'NUM' errou...afinal, quem tem...tem medo!

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