domingo, 3 de julho de 2011

O rádio de sempre...

O rádio não está mais fraco; os tempos é que mudaram!
Pelo menos é o que percebo desde 1971 quando comecei no rádio do Rio de Janeiro na rádio Continental, ainda na rua Riachuelo.
De lá pra cá, até os anos 80 tínhamos (sempre!) a Tupi e a Globo como as duas primeiras, seguidas pelas musicais Tamoio e Mundial e mais ao longe a Nacional e já nos anos oitenta, a Manchete Am.
Mas, desde essa época, as duas primeiras colocadas são as mesmas que disputam os primeiros lugares até hoje: Tupi e Globo. Só que àquela época a liderança era da Globo seguida pela Tupi e hoje, inverteu.
Nos anos 90, com o aparecimento da CBN criou-se um fato novo: uma rádio só de notícias (transformada emrede depois) mas que nunca ameaçou a audiência das primeiras colocadas, as chamadas rádios populares.
Assim sendo, respeito mas discordo quando dizem que o rádio de hoje está mais fraco.
Não.
O rádio mudou para enfrentar outras mídias que hoje se apresentam com intensidade na web, nas emissoras comunitárias (clandestinas ou não) e até nos celulares além das tvs que de manhã, quase fazem uma programação radiofônica. Claro que a Mundial e a Tamoio, da forma que eram, não são mais.
Nem podiam concorrer com a limpidez de som do rádio FM.
De resto, nunca se ouviu tanto AM no Rio como agora: as pesquisas comprovam, mesmo estando o Rio na contramão da história, uma vez que nas demais capitais as AMS perdem cada vez mais em audiência para as FMS.
Por um simples motivo : o melhor som! O mesmo melhor som que fez com que Tupi, primeiro, e Globo, depois, também anexassem o FM;
Evidente que durante todos os tempos tivemos radialistas emblemáticos e competentes que á época eram os primeiros.
Assim tivemos Ary Barroso, Paulo Gracindo, Almirante, Paulo Roberto e tantos outros. Quando estes passaram também diziam : o rádio está mais fraco. Foi a fase de transição que fez surgir um Haroldo de Andrade, Aureo Ameno, Hélio Tys, Waldyr Vieira e tantos outros.
Agora, depois que alguns destes já se foram, fala-se a mesma coisa e , como disse, respeito o pensamento mas discordo.
Nunca tivemos tantas emissoras de rádio.
Mesmo sendo verdade que os grandes salários diminuiram, por outro lado, nunca o rádio empregou tanto, aumentando um pouco à média salarial da maioria, apesar de ainda baixa.
Surgiram os planos de saúde, os tickets de alimentação e a partir dos anos 70, a regulamentação das profissões de radialistas e jornalistas.
O rádio mudou, sim.
Mas está muito mais ágil com o advento da internet e tem sim, mesmo entre os mais novos, excelentes profissionais que a hora certa aparecerão e serão os continuadores dos talentos de hoje.
Tenho 65 anos, 49 anos de rádio mas, por favor, não me chamem de saudosista. Jamais acreditei que o rádio passaria , aliás, o dia em que pensar assim, serei eu que estarei fora do rádio...

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Belo blog belas palavras, em breve lerei com mais frequencia.

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